Sou Maria Aparecida Nunes Barbosa da etnia Xacriabá. Moro na aldeia Barra do Sumaré II, município São João das Missões, Minas Gerais. Sou professora há 15 anos na minha aldeia. Sou estudante universitária da UFMG.

Há 3 anos que faço pesquisa sobre conflitos e sobrevivência do povo Xacriabá e municípios vizinhos, antes dos anos 1970.

Pensei em criar esse blog para divulgar meu trabalho e de outros colegas e dar oportunidade para outras pessoas conhecerem um pouco sobre as histórias do nosso povo, que a maior parte está só na mente dos mais velhos que eles estão levando com eles.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Trabalho de aluno


Trabalho de alunos

Pesquisas sobre alguns animais da aldeia.

Classificação de  alimentam , período de vida  e tempo de gestação

Carnívoro                  período de vida               tempo de gestação
Onça;
Gavião:                                                                                                 55 dias
Raposa:
Gato do mato:
Jacaré:                                      80 anos
Urubu:
Cobra;                                      
Coruja:                                        27 anos



Herbívoros

Cavalo:
Vaca:                                                                                                9 meses
Cabra:                                       17 anos
Coelho                                       7 anos
pria;
Guariba:
Moco:
Burro:
Galinha:                                       12 anos                                    18 a 20 dias
Rolinha:
A rara:                                         60 anos
Verdadeira:
Codorna;
Jegue:
Via do:
Paca:





Onívoros


Porco:                                             10 anos                                     4 meses
Cachorro:                                         25 anos                                    3 meses
Soim:
Teu:
Carcará:
Gambá:
Guaxo:
Cabaré:
Tatu:
Saruê:
Lagartixa:
Sapo:
Calango:
Rato:                                      4 anos                                      15 dias


Receitas de algumas plantas medicinais natural da minha aldeia

Caatinga de porco:
Aroeira :
Barço:
Ameixa da mata
Marmelo;
Postemeira:
Vassorinha
Matrus
Favaquinha
Algodão
Picão
Mal vão
Água da colônia
Vela me
desenrola






              Caatinga de porco

Coloque a casca para ferver  a doce e toma duas vez ao dia .
 Serve para curar  gripe e inflamação na garganta.


                    Aroeira
Ferve  três olhos  e toma  toda vez que sentir sede.
Serve para curar dor de barriga.



Barco

Raspe o emtre casco da madeira e faz o chá e toma durante dois dias.
Serve para  dor no estomago e coluna qualquer tipo de inflamação.


     Marmelo

Ferve a raiz e toma como chá.
Serve para infecção da bexiga e dor intestinal.

            postem eira

Tomar chá da raiz durante uma semana.
Serve para inflamação dos rins e bexiga.


      Água da colônia

Fazer o chá das folhas e tomar a noite.

Serve para controla pressão alta.



            Metrus
Tirar o sumo e colocar no ferimento. De três em três horas.
Seve para desinflamar corte e machucados.

Bater as folhas com leite ,para combater vermes.



      Desenrola
Fazer o chá das raízes.
Seve para acabar com cólica intestinal


Velame

Tomar o chá das folhas ou raízes.

Seve para curar disenteria de criança quando esta nascendo os dentes.



Favaquinha
Tomar o chá  a noite.
Seve para curar gripe e tosse.





Tomar o sumo; quando a menstruação estiver a atrasada.
Tirar o sumo e colocar no olho quando cair cisco.
Ou machucado.
Tomar o chá,para curar dor de barriga.





Com essas  preciosas plantas
 Sabendo usar-las  não sente dor
Cura muitas doenças
Melhor do que doutor.
Não tem químico
Não tem complicação
Com elas estamos
Com a saúde em
Nossas mãos.




Alunos da 5ª série
Elvécio ,  Jean, Anastácia, Vanessa.



          Piadas
Deus mandou são Pedro ir na terra ver como o povo estava lá . Chegando ele ficou por um bom tempo observando o movimento do povo. Ai foi para o céu e deus perguntou:
- Ai Pedro como está meu povo lá na terra?  Ele disse:
- Moço o CE esta e feio lá! Eu que estou bom eles só  fala Pedro manda chuva , Pedro tranca a chuva. E uce só tem



          Piadas
Deus mandou são Pedro ir na terra ver como o povo estava lá . Chegando ele ficou por um bom tempo observando o movimento do povo. Ai foi para o céu e deus perguntou:
- Ai Pedro como está meu povo lá na terra?  Ele disse:
- Moço o CE esta e feio lá! Eu que estou bom eles só  fala Pedro manda chuva , Pedro tranca a chuva. E uce só tem
dividas eles só falam deus te paga, outro fala deus que ti paga



quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Causo da minha avó


    



Quando el morava lá encimão inriba da quele barranca, não tinha quase ninguém para a gente prosear, quando era denote não tina nem uma zuada era aquele sutilão ai precisava dagente drúmi cedo El mi dava uma ingiriza era um escurão é a gente só escutava a cantiga dos grilos.
Só tina um camim um carerim niquem dava plufe dos zonzoutuos cada um ficava cudano da sua obrigação  ali era um intistimento que não tinha hora para passiar na casa dos zonzoutros. Só tinha alegria na casa que tinha minino ai era aquela zuada danada , quando a mininada dava para zuá ai dava uma a divirtimento para todo mundo.
 Quando a gente saia no camim que ohava para baixo já sabia quem passou primeira porque todos já conhecia a precata dos zonzoutros  e tombem não tinha receio uns dos zonzoutros todos era da mesma famia, rea unidos si um tinha uma muda de roupa todos que precisava vistia era o servidadão de todos não tinha nada separado não.


      Neta:   Tula
Fala de minha vô Adelaide contando causos de antiga mente na adolescência dela.
Eu transcrevi na fala dela,tem algumas palavras que é definiu de entender, mais é engaçadas.







A que não tinha essa encrenca assim de matação de gente não.

   De jeito nenhum. Nem briga não tinha. Eu lembro que nem briga não tinha. Oia, eu vim conhecer esse trem foi uma vez que o finado Miguel fez uma festa. Aconteceu isso. Isso aí eu lembro bem. Que o finado Miguel foi numa festa de Santa Cruz lá no Cabano e, de lá pra cá, ele veio mais o compadre dele, mais o Antônio de Jovino, que morava aí nas Caraíbas, e o Antônio do outro lado, esqueci o nome do home. Foi ataiá no caminho que já vinha emborae eu vou voltar lá?” Aí ele voltou lá. Tava um de lá, outro de cá, todos dois quem nem galo e galinha. Aí ele foi atravessando no meio e disse: “ Me atende compadre, me aten, aí o Miguel foi falou assim: “Cês tá aí conversando, deixa eu ir embora, eu tô com sono, eu vou-me embora”. Aí, ele olhou pra trás: “Vão bora companheiro!” Que ele olhou, só viu faca clareando. Disse: “Meu Pai do Céu! Que é que eu vou fazer? Será qu de compadre!” Quando ele falou assim, o compadre, tá, a faca nele. Aí ele caiu do burro e foi pro brejo. Foi a primeira vez que eu vi isso. Nunca tinha visto. Inteirou duas vezes com aquele menino besta que morava no Moro faiado,nuca tinha visto isso,ta!Bom ai vimos embora a qui pro Brejo.Inteiro duas  com aquele menino , um menino besta que tinha ai do veio Pedro cachiado. Pra ele mi era besta, todo mundo dezia que ele era besta, pegaram o pobre do menino e mataram. Nos já morava no Brejo,eu digo: Ui! E já viu mata gente! Gente mata e bicho não e gente não,daí o povo seguiu.ô! Agora, porque? porque o povo rendeu de mais, e ta muito a loceia, e ta  desobidiente, ta muito desobidiente. De primeiroera bom um fazia uma festa e saia avisano ocê, ai agora conde ocê chegava na quela festa , õ maio alegria,ocê comia tomava café a noite inteirinha, !Esse povo dançano, dançava um ludu, era ludu, não tinha essa coisa não de rasta pé não, era ludu  era um samba, ai assi a noite inteirinha, só tomano café e comeno o que tinha. A li agora o solo saia e ocê tombem até que isguecia que na quela armonia, até uma hora dessa, o povo tava sambano, que era bom.Hoje a gente tem medo até de fazer uma brincadeira,é! Ah!Tempo bom! Da arcansei uma beradinha ainda, arcansei uma beradinha do bom, e

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Conflitos


Na entrevista de seu Adelino, ele fala que antigamente, quando os índios xacriabá não tinham contato com os brancos, não tinham nenhuma confusão entre os índios, tinha muita união, tudo que tinha era dividido entre eles. A desunião começou depois do contato com os brancos .
 “Não, não tinha não. Os índios, de premeiro, não tinham a confusão que tem hoje. Os índios, de premeiro, tinha confusão com o pessoal de fora. O pessoal de fora que eles não conheciam. Até com o pessoal de fora, qualquer coisa eles brigavam, porque eles estranhavam aquele povo. Eles não consideravam o povo de fora igualmente ao povo da tribo; ali era um grupo, aquele grupo era reservado. Agora chegava uma pessoa de fora, que às vezes fosse amigo de um que quisesse o bem, então se ele agradasse um, estava agradando todo mundo e se ele desagradasse um, desagradava todo mundo. E hoje não está assim, o pessoal hoje já não está assim, o pessoal hoje já tem aldeia aí que inimigo já briga um com o outro. Às vezes, por causa de pessoas de fora, que coisa, tem horas que dá mais apoio a uma pessoa de fora, e misturou tudo, isso aí não está sendo bom igual era não, porque aquele não está preservando o grupo, igualimente era não.
O índio não tinha confusão com o pessoal de fora, aí de um tempo pra cá foi misturando, depois dos posseiros pra cá foi que teve essa revolta, índio contra índio, contra os de fora também, tá igual, a briga com os de fora está sendo por mesmo motivo. Hoje já não tá um grupo separado igualimente era não. De muito deferençou, não sei por que rendeu, mas o pessoal estava misturado com os branco, porque na época  os índios viviam fora do branco, era os grupos, só era índio no grupo do índio, hoje está tendo mais branco do que índio”. (Seu Adelino, 67 anos, aldeia Itacarambizinho)
A mistura de negros que veio da Bahia gerou conflito também por causa das diferenças,tinha costumes culturas  deferente.
"Pra misturá veio pessoal que não era índio, veio de Bahia, veio de Cochá, veio de vários lugares misturando com os índios. Chegava ali, os índio, o índio ia agradando aquele grupo ali, os índio já passava a ser amigo. Naquilo foi misturando, aí depois que misturou, outros chegava pra saber notícia da área. Já vinha era assim". (Seu Adelino, 67 anos, aldeia Itacarambizinho)
 “Gaspar chegaria afirmar o desaparecimento futuro dos índios, dão a invasão sempre crescente dos mestiços, oriundos dos português e africanos.’’ (p 29 do Relatório de Ana Flávia)
“O premeiro fazendeiro foi Juca Martizão, foi o primeiro que comprou terreno até dos lado. Vendeu assim de lá daquela grotona lá, ó! Perto no brejinho pra cá não podia, aí era o nosso terreno. Aí quem combateu foi o finado Rodrigue e compadre João também combateu, que foi sempre eles.  Essas vendas de terras que deu briga e deu morte.” (Dona Guardina,  58, aldeia Barra do Sumaré)
“Em alguns causo eles obrigava vender e se não vender, eles tomava”, como fala na entrevista do finado Rodrigues no relatório de Ana Flavia, p 70.
“Aí eles pegaram e jogaram um tanto de gado dentro das rocinhas, e foi rebentando tudo o que a gente tinha, e aí depois Iaiá ajudou, Iaiá, a onça, a Iaiá Cabocla nossa. Ela deu uma sangrada num bocado aí, bebeu o sangue e largou só um montão de folha, matou um bocado, eles assobiaram ô e saiu e cascou debaixo, saiu de repente, pegou o gado e saiu tudo, porque aqui, se a pessoa não souber, ela acontece mesmo é! E depois foi virando essa briga entre os povos, uns entraram e acompanharam, outros não acompanharam. Depois acabou dessa forma. Os posseiros eram os mais ricos e os remanescentes eram os mais pobres”. ((Dona Guardina,  58, aldeia Barra do Sumaré)
Seu Adelino conta que a confusão maior foi a que o CIMI entrou e incentivou os índios a expulsarem os fazendeiros das terras, causou muitas mortes. Antes já tinhas conflitos  com os fazendeiros por vários motivos, como quando colocava roças e quando estava madura, os fazendeiros passavam cerca adentro e colocavam gado para comer, porque as roças dos índios de primeiro não tinha cerca. Aí ia questionar e causava brigas ou cercava o terreno e proibia os índios a não passar dentro. Às vezes, o caminho estava dentro do terreno que eles cercaram. Assim afirmam  D. Guardina e Seu Adelino.
Seu Emílio falou que os conflitos internos que sempre aconteciam entre os xacriabás eram quando tinha um mau entendido e uns davam fins nos outros, de um modo que ninguém dava fé, matava e dobrava e colocava dentro de um pote e guardava. Como conta seu Emílio, confusão maior que tinha era assim:
“A não ser aqueles que eram os maldosos, que enrechava com eles, esses enterrava cá mesmo, dobrava e colocava no pote. Índio mesmo e branco que entrava, eles pegavam e davam remédio para embebedar, aí dobrava e colocava dentro do pote com o fundo pra baixo, mas eram os que queriam invadir. E os que andavam também batendo com a língua nos dentes, eles faziam assim também. Se visse, tinha que ficar calado. Esses eram os crimes mais perigosos que tinha de primeiro”. (Seu Emilio, 59 anos, aldeia Pedra Redonda)
Mas tinha muitas diferenças de uma aldeia para outra porque não foi todas as aldeias que foram invadidas pelos fazendeiros. Em muitas aldeias as brigas que aconteciam eram assim:
“O povo bebia cachaça, tombava para lá, às vezes brigava de murro de cacete. Mas no outro dia ia lá pedir desculpa para o outro: “- Êta cumpadre, desculpa, como foi que aconteceu isso, cumpadre? Foi porque nós bebemos demais.” Ninguém brigava por terra ou por outra coisa”. (Seu Emilio, 59 anos, aldeia Pedra Redonda)
Outro tipo de conflito eram os massacres de viajantes que saiam para resolver problemas da terra e os fazendeiros colocavam tocaia no caminho e arrastavam em cavalos pela estrada, muitos morriam porque machucavam muito e não tinha médico, só remedios do mato, como o  relata  no relatório de Ana Flavia.

Piadas


  • Tinha um homem que vendia toicinho e tinha muito toicinho ardido. Aí ele falou: amanhã eu vou guardar os toicinhos bons e vender só os ardidos. E ele tinha um papagaio que fofocava tudo. De manhã chegou um amigo que queria comprar toicinho. O papagaio falou: o bom ta guardado, esse aí ta ardido. O homem não comprou e foi embora. O vendedor do toicinho pegou o papagaio, tirou todas as penas e jogou no meio do terreiro. Aí ia passando um pintinho pelado, o papagaio perguntou: uá pintinho, você fofocou do toicinho ardido? Porque você está pelado!

  • Tinha um índio que estava perdido na cidade. Estava com fome e resolveu assaltar. Aí ia passando uma mulher, ele falou: me dá a bolsa senão índio mata. A mulher entregou a bolsa. Ele falou: Me dá pulseira senão índio mata. Me dá o sapato senão índio mata. A mulher abaixou para tirar o sapato e deu um pum. Aí o índio disse: me dá buzina senão índio mata!

  • Tinha um garrote que estava doido para passar para outro cercado por causa de uma novilha. Chegando outro garrote perto da novilha, ele resolveu arrebentar a cerca e foi pra perto. Ele perguntou à novilha: como você chama? Eu me chamo Maria das Flores, mas me chamam só de Maria que as flores ficam no campo. A novilha perguntou a ele: como você se chama? Chamo José Badalo, mas me chame só de José, que o badalo ficou ali no arame.

  • Chegou um homem no açougue e perguntou: Você tem pé de porco? Tenho. Você tem focinho de porco? Tenho. Você tem cabeça de porco? Tenho. Moço, então você é bem feinho!

O que é, o que é

O que é, o que é?

O que é, o que é, que nasce em pé e corre deitado?  Chuva

O que é, o que é, que está no meio da estrada e para você passar tem que dar a mão? Cancela, porteira e colchete

O que é, o que é, uma moça fina arrastando uma tripa? Agulha

O que é, o que é, que é feito para andar mas não anda? Estrada

O que é, o que é, anda no sol e não queima, anda na chuva e não molha? Sombra

O que é, o que é, é seu mas quem usa são os outros? Nome

O que é, o que é, você tem e não pode dar para o seu marido, só pode dar para os outros? Filho para batizar

O que é, o que é, tem quatro pernas mas não anda? Mesa, banco, cadeira...

O que é, o que é, que entra dura e sai mole pingando? Macarrão

O que é, o que é, que tem o pé redondo e o rastro comprido? Carro

O que é, o que é, que enche uma casa mas não enche uma mão? Botão

O que é, o que é, de dia é maior do que um homem e de noite é menor do que uma galinha? Chapéu

Por que o porco anda de cabeça baixa? Porque tem vergonha que a mãe dele é porca.